Câncer de pulmão: o que você precisa saber

Quando ouvimos falar em câncer de pulmão, a primeira imagem que vem à cabeça é a de um fumante. Embora o cigarro continue sendo o principal fator de risco, essa doença também pode atingir pessoas que nunca fumaram. Hoje sabemos que o câncer de pulmão é uma doença complexa e que, quando descoberto precocemente, tem muito mais chances de tratamento e cura. Por isso, conhecer seus fatores de risco e reconhecer os sinais de alerta faz toda a diferença.

Gabriel Bocalini

6/1/20262 min read

O cigarro ainda é o maior vilão

Não há dúvidas: fumar aumenta muito o risco de desenvolver câncer de pulmão. Quanto maior o tempo de tabagismo e o número de cigarros consumidos, maior o risco.

A boa notícia é que parar de fumar sempre vale a pena. Mesmo após muitos anos de tabagismo, o risco começa a diminuir e outros benefícios para a saúde aparecem rapidamente.

Quem nunca fumou também pode desenvolver câncer de pulmão?

Sim.

Entre 10% e 20% dos casos acontecem em pessoas que nunca fumaram. Nesses pacientes, outros fatores podem estar envolvidos, como:

  • predisposição genética;

  • exposição à fumaça de cigarro (fumante passivo);

  • poluição do ar;

  • exposição ocupacional a produtos químicos (como amianto e sílica);

  • doenças pulmonares crônicas;

  • alterações genéticas que surgem ao longo da vida.

Por isso, nunca devemos descartar essa possibilidade apenas porque a pessoa nunca fumou.

Quais sintomas merecem atenção?

No início, o câncer de pulmão pode não causar nenhum sintoma. Conforme cresce, alguns sinais podem aparecer:

  • Tosse que persiste por várias semanas;

  • Mudança no padrão de uma tosse antiga;

  • Tosse com sangue;

  • Falta de ar progressiva;

  • Dor no peito;

  • Rouquidão persistente;

  • Perda de peso sem causa aparente;

  • Cansaço excessivo;

  • Pneumonias de repetição no mesmo local do pulmão.

Esses sintomas podem estar relacionados a várias doenças e não significam necessariamente câncer, mas merecem avaliação médica.

Como o diagnóstico é feito?

O primeiro passo costuma ser uma avaliação clínica e exames de imagem, principalmente a tomografia computadorizada do tórax.

Se houver uma lesão suspeita, podem ser necessários outros exames, como:

  • broncoscopia;

  • biópsia;

  • PET-CT;

  • exames laboratoriais.

Somente a análise do tecido (biópsia) confirma o diagnóstico.

Todo nódulo pulmonar é câncer?

Não.

Na verdade, a maioria dos nódulos encontrados em tomografias é benigna.

Infecções antigas, cicatrizes e processos inflamatórios também podem formar nódulos.

Quando um nódulo é encontrado, o médico avalia diversos fatores, como:

  • tamanho;

  • formato;

  • localização;

  • velocidade de crescimento;

  • idade do paciente;

  • histórico de tabagismo.

Em muitos casos, apenas o acompanhamento periódico com novas tomografias é suficiente.

Existe exame para descobrir precocemente?

Sim, mas ele é indicado apenas para pessoas com alto risco.

O rastreamento é realizado com uma tomografia computadorizada de tórax de baixa dose, um exame rápido e com menor exposição à radiação.

Atualmente, ele é recomendado para pessoas entre 50 e 80 anos que possuem histórico importante de tabagismo e ainda fumam ou pararam há menos de 15 anos.

Para quem nunca fumou, ainda não existe recomendação de realizar esse exame de rotina.

O tratamento evoluiu muito

Nas últimas décadas, o tratamento do câncer de pulmão mudou completamente.

Além da cirurgia, quimioterapia e radioterapia, hoje existem tratamentos modernos que atuam diretamente nas alterações genéticas do tumor e medicamentos que estimulam o próprio sistema imunológico a combater a doença (imunoterapia).

Esses avanços têm proporcionado melhores resultados, maior sobrevida e melhor qualidade de vida para muitos pacientes.

Como reduzir o risco?

Algumas medidas ajudam a diminuir o risco de desenvolver câncer de pulmão:

  • Não fumar e evitar a fumaça do cigarro;

  • Manter acompanhamento médico quando indicado;

  • Utilizar equipamentos de proteção em ambientes com exposição a produtos químicos;

  • Procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes;

  • Realizar o rastreamento quando houver indicação.

O câncer de pulmão não é uma doença exclusiva dos fumantes. Ao mesmo tempo, nem toda tosse ou nódulo pulmonar significa câncer.

O mais importante é não ignorar sintomas persistentes e realizar uma investigação adequada quando houver indicação. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de tratamento curativo e de melhores resultados.