Vape: o que a ciência já sabe sobre o cigarro eletrônico?
Os cigarros eletrônicos (vapes) ganharam popularidade nos últimos anos, especialmente entre jovens e ex-fumantes. Apesar de muitas pessoas acreditarem que são uma alternativa "segura", os estudos mais recentes mostram que eles não são isentos de riscos.
Gabriel Bocalini
7/7/20263 min read
O vapor não é apenas "água"
Ao contrário do que muitos imaginam, o vape não libera apenas vapor de água.
O aerossol contém uma mistura de nicotina (na maioria dos produtos), propilenoglicol, glicerina vegetal, aromatizantes e diversas substâncias químicas produzidas durante o aquecimento.
O pulmão também sofre inflamação
Mesmo em pessoas jovens e saudáveis, o uso do cigarro eletrônico pode provocar inflamação das vias aéreas, aumento do estresse oxidativo e alteração da resposta imunológica do pulmão.
Essas alterações podem favorecer infecções respiratórias e agravar doenças como asma e DPOC.
O vape também afeta o coração
A nicotina aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial.
Além disso, estudos demonstram piora da função dos vasos sanguíneos logo após o uso, aumentando o risco cardiovascular em usuários frequentes.
Vape também causa dependência
Muitos dispositivos modernos utilizam sais de nicotina, que permitem concentrações muito elevadas dessa substância.
Alguns produtos podem fornecer nicotina equivalente à de vários maços de cigarros ao longo do tempo de uso.
O cérebro dos adolescentes é mais vulnerável
A exposição precoce à nicotina pode interferir no desenvolvimento cerebral, prejudicando memória, atenção, aprendizado e aumentando o risco de dependência futura.
Ainda não conhecemos todos os efeitos a longo prazo
Os cigarros eletrônicos são relativamente recentes.
Como doenças como DPOC, enfisema e câncer de pulmão costumam surgir após décadas de exposição, muitos efeitos ainda estão sendo estudados.
Existe uma doença pulmonar associada ao vape
Em 2019 foi descrita a EVALI (E-cigarette or Vaping Product Use-Associated Lung Injury).
Essa condição pode causar:
falta de ar intensa;
tosse;
dor no peito;
febre;
necessidade de internação;
insuficiência respiratória em casos graves.
Grande parte dos casos esteve relacionada a produtos adulterados contendo acetato de vitamina E, especialmente aqueles com THC.
Quem tem asma pode piorar com o vape
O uso do cigarro eletrônico pode aumentar a irritação dos brônquios, favorecer crises e reduzir o controle da doença.
O vape não elimina o risco para quem já tem DPOC
Algumas pessoas substituem o cigarro convencional pelo eletrônico acreditando que estarão protegidas.
Embora a exposição a algumas substâncias tóxicas possa ser menor do que a do cigarro tradicional, isso não significa ausência de risco, e o vape pode continuar provocando inflamação e lesão pulmonar.
Muitos usuários acabam consumindo os dois produtos
É comum observar o chamado uso dual, quando a pessoa utiliza cigarro convencional e vape simultaneamente.
Nessa situação, a exposição aos componentes nocivos tende a ser ainda maior.
Os sabores não significam segurança
Existem milhares de aromas disponíveis, como frutas, doces e bebidas.
Durante o aquecimento, alguns aromatizantes podem formar compostos irritantes ou potencialmente tóxicos para as vias respiratórias.
A venda é proibida no Brasil
A comercialização, importação e propaganda de cigarros eletrônicos permanecem proibidas pela Anvisa.
Apesar disso, os produtos continuam sendo encontrados de forma irregular no mercado.
O vape ajuda a parar de fumar?
Os estudos apresentam resultados variados.
Em alguns países, dispositivos específicos fazem parte de estratégias de cessação do tabagismo sob acompanhamento profissional. Entretanto, isso não se aplica aos produtos comercializados informalmente, que apresentam grande variação de qualidade, composição e concentração de nicotina.
Para quem deseja abandonar o cigarro, existem tratamentos com eficácia comprovada e acompanhamento médico individualizado.
Embora o cigarro eletrônico exponha o usuário a menos substâncias tóxicas do que o cigarro convencional, isso não significa que seja seguro. A ciência já demonstrou que o vape pode causar dependência, inflamação pulmonar, alterações cardiovasculares e lesões respiratórias, e seus efeitos a longo prazo ainda estão sendo investigados.
A melhor escolha para a saúde pulmonar continua sendo não fumar — nem cigarro convencional, nem cigarro eletrônico.
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